Bruno Barreto: um ícone do cinema brasileiro

O mercado cinematográfico brasileiro, com todas as suas dificuldades de orçamento, mão-de-obra, incentivo e reconhecimento, eventualmente nos traz algumas boas surpresas. Fazer seu nome neste meio e ainda contar com reconhecimento do público em geral não é tarefa fácil. Estima-se que a participação do público brasileiro nas salas de cinema com exibição de obras nacionais estava abaixo de 15% do total em 2019. Ou seja, a cada 10 ingressos vendidos, nem 2 eram para produções brasileiras. 

Neste cenário, um nome que se destaca é o de Bruno Barreto, um dos cineastas brasileiros que mais levou espectadores para as salas de cinema. Bruno Villela Barreto Borges nasceu no Rio de Janeiro em 1955, filho de Lucy e Luiz Carlos Barreto, donos da Produtora ‘LCD Barreto Filmes do Equador’. A LCD é uma história à parte, sendo responsável pela produção de diversos filmes marcantes do cinema nacional, entre eles:

– Assalto ao Trem Pagador, de Roberto Farias (1961)

– “Vidas Secas”, de Nelson Pereira dos Santos (1963) 

– “Terra em Transe”, de Glauber Rocha (1967)

– “O Quatrilho”, Fábio Barreto (1995).

– “Memórias do Cárcere”, Nelson Pereira dos Santos  (1984)

Além dos pais engajados na indústria cinematográfica, Bruno é irmão de Fábio Barreto, indicado em 1995 ao Oscar de melhor filme estrangeiro por O Quatrilho.

Principais Filmes

Bruno Barreto começou a produzir curtas logo cedo. Seu primeiro curta, “Bahia, à Vista” foi filmado em 1967, quando ele tinha apenas 12 anos. Aos 17 anos produziu “Tati, A Garota” (1972), onde dirigiu atores experientes, entre eles Hugo Carvana. 

Alguns anos depois, produziu uma das obras que lhe dão fama até hoje. Em 1976, aos 21 anos, Bruno dirigiu os atores José Wilker, Sônia Braga e Mauro Mendonça no longa-metragem Dona Flor e Seus Dois Maridos, adaptado da obra de Jorge Amado. 

Por 34 anos, Dona Flor e Seus Dois Maridos foi recordista de público do cinema brasileiro, com mais de 10 milhões de espectadores. Este recorde foi batido em 2010, por Tropa de Elite 2. Porém, é importante analisar que em 1970 a população brasileira era inferior a 100 milhões de habitantes, enquanto em 2010 já estava próxima a 200 milhões. Isso apenas traz mais destaque para o sucesso que o Dona Flor e Seus Dois Maridos fez em seu lançamento, em um Brasil que estava descobrindo essa nova geração de filmes e cineastas.

Outro clássico que Bruno levou aos cinemas foi “O Beijo do Asfalto” (1980), adaptado da obra de Nelson Rodrigues. Alguns anos mais tarde, em 1982, Bruno Barreto adaptou outra obra de Jorge Amado: “Gabriela, Cravo e Canela”, onde imortalizou Sonia Braga no papel da protagonista.

Em 1997, baseado nas memórias de Fernando Gabeira, Bruno Barreto lança “O Que é Isso, Companheiro?”, filme que conta a história do sequestro do embaixador americano Charles Burke Elbrick por um grupo guerrilheiro no Brasil, em 1969. A produção foi indicada ao Oscar de melhor filme estrangeiro.

Já em 2013, Bruno dirigiu o drama “Flores Raras” sobre o relacionamento entre a arquiteta e paisagista brasileira Lota de Macedo Soares (Glória Pires) e a poeta americana Elizabeth Bishop (Miranda Otto), no Rio de Janeiro da década de 1950.

O portfólio de Bruno Barreto conta com mais de 20 obras cinematográficas, sempre marcadas pela profundidade de roteiro, parceiros brilhantes como Tom Jobim, Chico Buarque, Francis Hime e bastante sucesso entre público e crítica, o que garante a ele um lugar entre os maiores cineastas brasileiros.

 

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