Conheça a história do cinema brasileiro!

Conheça a história do cinema brasileiro!

Conheça a história do cinema brasileiro!

A história do cinema brasileiro é muito rica e diversa, assim como o nosso país.

Segundo Danilo Santos de Miranda, Diretor Regional do Sesc São Paulo, olhar para o passado e traçar o percurso da origem e consolidação do cinema brasileiro é essencial para rever quem nós, como nação, somos e ainda reconhecer de onde viemos e ressignificar o país que nos tornamos.

Continue lendo o nosso post e saiba mais sobre a origem da sétima arte no Brasil!

Primeiros anos da história do cinema brasileiro

O cinema brasileiro teve origem no ano de 1898, três anos após a exibição feita pelos irmãos Lumière, na França, com um filme feito pelo italiano Afonso Segreto nas águas da baía da Guanabara.

Infelizmente, esse material não foi preservado e não há muitos registros, apenas em alguns periódicos cariocas da época.

E ainda há quem conteste essa origem. Vicente de Paula Araújo, em sua obra “A Bela Época do Cinema Brasileiro”, de 1976, afirma que a primeira pessoa que exibiu imagens em movimento no Brasil teria sido o médico José Roberto da Cunha Sales, em 1897.

Mas, independentemente de sua origem, tudo começou a se estruturar apenas a partir de 1900, quando houve o aparecimento de diversos pontos cinematográficos em todo o país.

Os filmes eram curtos, exibidos em salões e retratavam os últimos acontecimentos. Já entre 1907 e 1911, começou o período denominado “bela época do cinema brasileiro” que, de acordo com a professora do Centro Universitário Senac, é questionável, uma vez que especialistas afirmam que houve apenas produção da Capital Federal da época, o Rio de Janeiro.

Apesar disso, durante esses anos houve muitas produções nacionais, assim como também foi expandida a quantidade de casas exibidoras no país.

Vale ressaltar que nessa época o cinema ainda não havia sido influenciado pelas produções norte-americanas e contava com uma linguagem própria. Entre os principais destaques, podemos ressaltar:
Capadócios da Cidade Nova (1908) – Antônio Leal,
A Viúva Alegre (1909) – Américo Colombo, Eduardo Leite e Alberto Moreira,
A Gueixa (1909) – José Gonçalves Leonardo,
Sonho de Valsa (1910) – José Gonçalves Leonardo.

O cinema falante e a primeira crise cinematográfica

Em 1908, iniciou-se a etapa da história do cinema brasileiro em que, além da imagem, eram colocados nas casas exibidoras fonógrafos sincronizados com as imagens.

Nessa década já havia a descentralização das produções. Em Pelotas, no Rio Grande do Sul, por exemplo, foram produzidas algumas películas e, em 1913, foi filmado o que é considerado o primeiro longa-metragem do país: O Crime de Banhados.

Essas produções eram chamadas de “posadas” e muitas das histórias eram inspiradas em casos reais, tanto de comédia quanto de crimes. Também iniciou-se nessa época a produção dos filmes “cantados”, em que os atores dublavam a si mesmos por trás da tela.

As adaptações literárias também faziam sucesso.

Nesse período também teve início a primeira crise cinematográfica do Brasil, mais especificamente em 1912, causada, principalmente, pelo sucesso e expansão cinematográfica da França e dos Estados Unidos, pois o mercado nacional não conseguia competir com esses países.

A situação foi mais agravada pela Primeira Guerra Mundial, que fez com que os equipamentos ficassem mais caros ainda para os produtores brasileiros.

O início do cinejornais

Para sobreviver à crise vivenciada, a indústria cinematográfica brasileira começou a investir em um formato que não confrontasse o estilo hollywoodiano, produzindo documentários e jornais.

Assim, começou o que ficou conhecido como “método de cavação”, no qual as produtoras utilizavam os seus lucros nos cinejornais para investir em produções ficcionais.

Desse modo, o cinema brasileiro começou a se formar, havendo destaque para diretores como Almeida Fleming, Alberto Traversa, Amilar Alves, Eugênio Centenaro, Vittorio Capellaro, Edson Chagas, José Medina e, no final da década de 20, Humberto Mauro.

Mauro deu início ao Ciclo Cataguases, marcado pelas gravações em regiões geográficas específicas. Após o seu reconhecimento, foi para o Rio de Janeiro, onde, junto com Adhemar Gonzaga, criou vários filmes marcantes, como:
Lábios Sem Beijos (1930),
Ganga Bruta (1933).

A história do cinema brasileiro motivada pelos filmes hollywoodianos

Durante os anos 1940 até o fim da II Guerra Mundial, houve algumas mudanças no cinema brasileiro, motivadas pelo surgimento do Clube de Cinema de São Paulo, que viria a ser, posteriormente, a Cinemateca Brasileira.

Nesse tempo, as produtoras buscavam usar elementos hollywoodianos, o que foi evidenciado pela criação da Vera Cruz, que produziu o primeiro filme brasileiro a vencer um prêmio no Festival de Cannes, O Cangaceiro, de Lima Barreto.

Também foi nesse período que as comédias de Mazzaropi fizeram grande sucesso, assim como as famosas chanchadas, criadas pela Atlântida Cinematográfica.

Cinema Novo e ditadura militar

Não é possível falar de história do cinema brasileiro sem falar do Cinema Novo, liderado pelo diretor Glauber Rocha (linkar) durante as décadas de 60 e 70.

Esse movimento tinha como objetivo valorizar a cultura nacional e renovar a linguagem cinematográfica, com foco em temáticas sociais.

Com base no neorrealismo italiano, as obras dessa época buscavam mostrar as injustiças socioeconômicas enfrentadas pelo Brasil e chocar a burguesia com cenas fortes e marcantes, mostrando a fome do povo.

Os filmes eram de baixo custo, mas com um conteúdo denso, o que foi considerado como a linguagem própria do Cinema Novo. Os destaques vão para:
Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964) – Glauber Rocha,
Terra em Transe (1967) – Glauber Rocha,
Vidas Secas (1963) – Nelson Pereira dos Santos,
Os Fuzis (1964) – Ruy Guerra.

Em 1969, durante a ditadura, houve a criação da Embrafilme (Empresa Brasileira de Filmes), que buscava censurar as produções lançadas e promover os aprovados.

Os longas-metragens nacionais eram transmitidos nas salas de todos os cinemas do país, o que fez Dona Flor e Seus Dois Maridos, de Bruno Barreto, e as comédias dos Trapalhões terem destaque, por exemplo.

Simultaneamente, o movimento Boca do Lixo crescia em São Paulo, realizando as conhecidas pornochanchadas, comédias com conteúdo erótico que ficaram em alta até a década de 1980.

Segunda crise cinematográfica da história do cinema brasileiro

Com a popularização dos videocassetes, nos anos 80, o cinema nacional entrou mais uma vez em crise, o que foi agravado pela situação econômica do país, que impedia novos projetos e a compra de ingressos.

Houve destaque na época para os diretores Sérgio Bianchi, André Klotzel, Sérgio Toledo, Hermano Penna e Eduardo Coutinho, que criaram películas que eram disponibilizadas apenas em grandes festivais.

Em 1992, a fase de retomada do cinema brasileiro começou com a criação da Secretaria para o Desenvolvimento do Audiovisual, que incentivava financeiramente a produção cinematográfica.

Os destaques desse período são:
Carlota Joaquina, Princesa do Brazil (1995) – Carla Camurati,
O Que é Isso, Companheiro? (1997) – Bruno Barreto,
Central do Brasil (1998) – Walter Salles,
Cidade de Deus (2002) – Fernando Meirelles.

Após essa fase, que foi até 2003, iniciou-se a pós-retomada, com a produção de filmes marcantes no cinema, como Carandiru, de Hector Babenco e, claro, Tropa de Elite, de José Padilha.

Também houve a produção de comédias populares, como o famoso Minha Mãe é uma Peça.

Vale ressaltar que, durante todo esse período, o Brasil ganhou destaque nos festivais ao redor do mundo, ganhando prêmios e homenageando diretores conhecidos, como Marco Dutra, Kleber Mendonça Filho e Anna Muyalert.

Este é um bom resumo da história do cinema brasileiro. Deixe nos comentários quais são os seus filmes favoritos de cada época. A nossa equipe vai adorar saber!

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